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QUARENTENA INFORMATIVA - Visibilidade Lésbica e Bissexual: preconceito, violência e proteção


As datas comemorativas surgem a partir da construção de memória de sujeitos históricos de determinados grupos sociais, com o objetivo de estabelecer identificação. Algumas podem evocar uma história de luta e resistência, como por exemplo o mês de agosto que é dedicado a celebrar a Visibilidade Lésbica e o mês de setembro, a Visibilidade Bissexual.


Ambos os meses são dedicados a pôr em debate as questões referentes as pautas das mulheres lésbicas e bissexuais, respectivamente. Bem como o cotidiano de violência e opressão que vivenciam e as lutas que são travadas para que tenham mais visibilidade, direitos sociais e políticos, a possibilidade amar sem preconceito e sobretudo, o direito a existir.


Nossa sociedade baseada nos preceitos patriarcais, tende a valorizar e “proteger” a instituição da família nuclear/tradicional, composta por marido, mulher e filhos. Dessa ordem, surgem variadas opressões e problemas sociais ainda muito invisibilizadas, como as opressões vividas por mulheres lésbicas, ou em relacionamentos lésbicos.


Ao subverterem a ordem patriarcal as mulheres lésbicas e bissexuais, em especial aquelas que não performam feminilidade, tem suas existências enquanto mulheres questionadas e invalidadas pela socialmente.


Ao negar as normas do casamento heterossexual, perante a sociedade, tais mulheres passam por um processo de exclusão e apagamento social, além de estarem expostas a uma ampla lista de violências psicológicas, físicas e morais.


Essas violências, que partem do fato de mulheres lésbicas, ou em relacionamentos lésbicos, questionarem a raiz das desigualdades de gênero - o “papel de mulher” - estão muito presentes no ambiente doméstico e familiar. Infelizmente, é comum que lésbicas sofram com “estupros corretivos” por parentes e familiares. Essa violência, demonstra de maneira ainda mais cruel, que para a sociedade e o grande preconceito que a permeia, mulheres que não se relacionam com homens, devem ser punidas até que “virem mulheres” e aceitem seu papel.


Felizmente temos avançado, ainda que a passos lentos, no combate do preconceito e violência contra mulheres lésbicas e bissexuais. A Lei Maria da Penha, por proteger mulheres de violências que ocorrem a partir das condições de gênero, também se aplica as violências sofridas por mulheres lésbicas e bissexuais no ambiente doméstico, ou por familiares.

Devemos lembrar que, entre casais lésbicos também pode haver situações de violência, e que a Lei Maria da Penha também tutela essas relações. Contudo, considerando a grande invisibilidade que existe sobre os casos de violência doméstica contra mulheres lésbicas e bissexuais, tanto por serem mulheres quanto por sua sexualidade, consideramos de suma importância informar e conscientizar a sociedade sobre essa realidade, evidenciando a urgência em falarmos e agirmos em prol desse grupo de mulheres, juntamente com todas as nossas demais lutas.


Que a cada agosto e setembro possamos ter avançado mais na conscientização e enfrentamento da violência contra mulheres lésbicas e bissexuais. Oferecendo respeito, e proteção justa à todas as mulheres que amam mulheres!

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