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Repensar nossos relacionamentos é enfrentar a violência!


Sempre que o dia dos namorados se aproxima, nos deparamos com símbolos, dizeres e imagens que nos remetem ao amor, a paixão e o carinho que cerca a união entre duas pessoas. Mas, infelizmente, também percebemos elementos que demonstram que nossos ideais de relacionamento e amor estão carregados de componentes autodestrutivos.


Frases como “se sinto ciúme é porque amo”, “não sou nada sem você”, “você é meu/minha e eu sou sua/seu” nos dão indícios de um dos sentimentos que contribuem expressivamente para a construção de relacionamento abusivos, o ciúme.


O ciúme, sentimento de posse e insegurança, faz com que os relacionamentos se tornem cheios de traumas, violências e mágoas. Esses sentimentos são frutos de muito tempo de naturalização da violência e da objetificação de pessoas – especialmente das mulheres – e das relações. Consideramos normal que pessoas briguem fisicamente por seus companheiros/as, que vigiem as ações uns do outros como fiscais, que cobrem satisfações até nas coisas mais simples, e que violentem-se quando não se sentem satisfeitos ou se exaltam.

Ao contrário de vermos uma relação como uma união respeitosa baseada no afeto entre dois indivíduos, vemos o namoro quase como um contrato de compra onde um passa a PERTENCER ao outro. Infelizmente, essas posturas são naturalizadas em nossa sociedade, e por isso, muito difíceis de serem percebidas como nocivas.


Uma das dificuldades intrínsecas aos relacionamentos abusivos, é que os abusos não se apresentam de imediato no relacionamento. Um relacionamento abusivo se constrói gradativamente, fazendo com que os indivíduos envolvidos não percebam a dimensão que pode chegar. Por vezes por meio de à violências “sutis” como ações que diminuem a autoestima e saúde mental de quem está sujeito à relação, e por vezes podendo chegar à violência física e sexual.


A pessoa que está na relação abusiva pode demorar muito tempo até percebê-la como tal, pois cria-se um envolvimento afetivo dependente, fragiliza-se a autoestima e a confiança em si mesmo. Nessa relação, sabemos que alguns sujeitos, como mulheres cisgênero negras, indígenas e brancas e mulheres trans negras, indígenas e brancas são mais vulneráveis a serem acometidos por relacionamentos abusivos por inúmeros fatores sociais.


Para nutrir amores e relações baseadas no amor, saúde e respeito, devemos DESNATURALIZAR e não mais ROMANTIZAR a violência como parte dos relacionamentos. Assim, poderemos refletir e recriar formas saudáveis de se amar!

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