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Racismo e Violência de Gênero

A relação entre esses dois assuntos pode não parecer tão clara para alguns à primeira vista. Contudo, em nosso país assim como em muitos outros, devido ao racismo e ao patriarcado, as mulheres negras constituem o grupo social de maior vulnerabilidade. Longe de pensar uma fraqueza da natureza dessas mulheres, falamos de vulnerabilidade social constituída com base nas estruturas e relações de poder que regem nossa vida em sociedade.


As mulheres negras aparecem nos índices e sentem na pele e na vivência cotidiana os maiores fardos da nossa sociedade capitalista, patriarcal e racista. Essas mulheres, que são muitas em aparências, em vivências e em subjetividades, sentem a opressão de gênero com o agravante do preconceito racial que intensifica experiências negativas como a violência doméstica e familiar.


Os números, que são demasiado frios para que compreendamos a completude do que é a experiência de mulheres negras que sofrem com o racismo e a violência doméstica, nos apresentam a diferença gritante da condição da mulher negra em relação à mulher branca. Os preconceitos raciais irão se apresentar também no momento em que a mulher em situação de violência for buscar ajuda, inclusive pela limitação de meios para tanto, fazendo com que a perpetuação da situação de violência pela dificuldade de acesso a uma rede de apoio ou aos seus direitos, transfira mais números de mulheres negras vítimas de violência doméstica para mulheres negras vítimas de feminicídio.


Para falarmos de libertação das mulheres da violência doméstica e de gênero, da opressão patriarcal, precisamos falar de antirracismo. Para falarmos de igualdade de gênero, precisamos falar de políticas públicas que contemplem o racismo emaranhado em nossa sociedade, que impede e afasta mulheres racializadas de acessarem seus direitos, colocando-as na linha de frente da violência pelo contínuo ataque às suas autoestimas e identidades fazendo-as continuarem se submetendo a relações de violência.


Precisamos enfatizar e compreender que uma luta não se separa da outra, pelo contrário, unindo forças, se solidarizando com a dor do outro, chegaremos mais longe!

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