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Circuito NUMAPE - Secreto e Proibido


A nossa indicação de hoje para o circuito semanal é o documentário A Secret Love, em português Secreto e Proibido. Dirigido por Chris Bolan conta a história de Terry Donahue e Pat Henschel, duas idosas que decidem juntas revelar aos seus familiares e conhecidos o vínculo que possuem para além da amizade: são um casal há 70 anos.


Suas histórias se atravessam em suas juventudes, por volta dos anos de 1940, uma época em que os sujeitos que não se encaixavam na ordem moral teriam de traçar uma espécie de vida dupla. Esse é o caso de Pat e Terry que passaram muitos anos tendo que se apresentarem como primas e morando juntas com a justificativa de que o custo da moradia nos Estados Unidos era alto.


Durante suas trajetórias juntas, sempre foram capazes de cuidar uma da outra sem a intervenção ou participação de outras pessoas. Elas vivenciaram contextos em que a união das duas eram inaceitáveis, contudo, no presente outros desafios estão postos. Com a idade também vieram as dores, doenças e limitações colocando Pat e Terry a questionarem qual o caminho que devem seguir diante de tal desafio.


O documentário causa incômodo e um sentimento de injustiça quando ficamos em frente às imagens de duas mulheres que foram impossibilitadas de se amarem plenamente devido aos valores e normas de outros contextos, mas que ainda se fazem presentes na sociedade do século XXI.


Em nosso cotidiano, diante de tantas opressões e injustiças tendemos a banalizar preconceitos e violências que achávamos já termos superados e nesse sentido, o filme nos sensibiliza e nos permite refletir sobre as violências que ainda permaneceram ao longo dos anos. Ao mesmo tempo que traz algo que parece simples, mas que se trata de algo importante: a visibilidade e o direito de amar.


Temos avançado a passos largos com conquistas importantes e cada vez mais visibilidade em relação a comunidade lésbica e LGBTI+ em geral. Ao vermos Secreto e Proibido é revoltante pensarmos que à Pat e Terry foram negados direitos básicos que hoje já foram conquistados, entretanto é necessário lembrarmos que o direito a existir e a amar plenamente se trata de uma luta diária até chegarmos numa sociedade melhor.

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