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20 de Novembro - Dia da Consciência Negra


No dia 25 de novembro inicia a campanha anual e internacional “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, que tem como objetivo mobilizar com atividades informativas e educativas organizações, grupos e movimentos sociais para o engajamento na prevenção e no combate às violências e opressões contra as mulheres. No Brasil a campanha possui 21 dias iniciando no mesmo dia que celebramos o Dia Nacional da Consciência Negra, uma data que evoca a árdua luta contra o racismo, responsável por colocar milhares de pessoas negras na linha de frente de inúmeras violências todos os dias em nosso país.


A forma como nossa sociedade é organizada permite que inúmeras desigualdades existam. Historicamente a população negra é oprimida por conta do racismo que assume distintas formas a partir de determinados contextos. A cor da pele é vista como um elemento central para distinção socioeconômica, um fator que impõe uma hierarquia social entre os sujeitos. Dessa forma, as mulheres negras são os sujeitos que estão na base da pirâmide social e estão mais vulneráveis às várias formas de violências.



Essa vulnerabilidade social, e muitas vezes econômica, está muito longe de ser uma fraqueza da natureza destas mulheres, mas sim fundamentada nas relações de poder que foram construídas historicamente nas estruturas da nossa sociedade. Nesse sentido, o machismo e o racismo são fenômenos estruturais e estão presentes em todas as dimensões sociais. Isso faz com que experiências negativas como a violência doméstica sejam intensificadas para as mulheres negras.


A profundidade do problema fica mais evidente ao percebermos que o acesso a respostas jurídicas se mostra limitado a estas mulheres devido ao racismo institucional. Os estereótipos racistas que constituem a maneira como estas mulheres são percebidas e tratadas na sociedade geram impactos reais em suas vidas cotidianas, influenciando nos atendimentos que recebem dos serviços de saúde e segurança ao serem vítimas de violência doméstica e familiar, dificultando o acesso amplo às políticas públicas que deveriam protegê-las e garantir seus direitos.


Além de lidar com o preconceito nestes atendimentos e a violência doméstica em seus lares, ainda há o luto pela vida de seus companheiros, irmãos e filhos que têm suas vidas retiradas pelo racismo e pelo descaso do Estado. A experiência do desemprego e da desigualdade no mercado de trabalho também contribui para a continuidade da violência em suas vidas, uma vez que a independência financeira é um dos elementos fundamentais na quebra do ciclo da violência.


O dia da Consciência Negra é um momento necessário para refletirmos sobre como a história da população negra é uma história de luta e resistência contra as várias facetas impostas pelo racismo. Assim, a estrutura racista e também patriarcal de nossa sociedade precisa ser exposta, reconhecida e combatida. Por fim, a luta pelo fim da violência e opressão contra as mulheres deve ser também uma luta antirracista. Só podemos pensar numa libertação efetiva das mulheres do machismo e das várias violências que decorrem dele se lutarmos para derrotar o racismo!



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